Fapeal incentiva pesquisas voltadas para reeducação alimentar

Pais e profissionais se unem no combate aos malefícios trazidos pela vida moderna

Pais também devem ficar atentos aos lanches servidos nas instituições, exigindo das cantinas opções variadas, ricas e nutritivas. (Fotos: Fotos Públicas)

Pais também devem ficar atentos aos lanches servidos nas instituições, exigindo das cantinas opções variadas, ricas e nutritivas. (Fotos: Fotos Públicas)

A temática não é nova, mas o problema permanece sendo um transtorno para pais e crianças desta década. Como educar crianças para hábitos tradicionalmente saudáveis num mundo contemporâneo tão complexo?

 Abordando temáticas tecnológicas e científicas, as gerações presentes encontrarão um futuro repleto de facilidades e dispositivos tecnológicos inovadores, que os logarão num universo mais prático. Esse dinamismo os permitirá ter acesso a tudo já materializado, impresso, comidas prontas e multiprocessadas, o fast-food levado a último grau.

 A Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Alagoas (Fapeal), atenta às apreensões da sociedade, tem entre as pesquisas financiadas com recursos do Governo de Alagoas, projetos voltados à alimentação e nutrição infantil.

 Seguindo a política recente de induzir a produção e conhecimento que preencha lacunas estaduais, estes estudos têm analisado temas como: a caracterização do leite informal comercializado no Estado, o perfil antropométrico e laboratorial de adolescentes diabéticos das clínicas particulares de Maceió, a caracterização microbiológica da água utilizada no complexo nutricional e uma avaliação feita sobre a realização do direito humano à alimentação adequada entre os alunos da rede pública e privada do ensino fundamental em Alagoas.

Nota-se grande perda quando se analisa a falta da interação da criança com um mundo que era considerado mais “orgânico” e menos sedentário. A alimentação desregrada também elevou os índices de obesidade da população infantil, que está trilhando os caminhos da hipertensão desde a infância.

 A especialista em segurança alimentar e professora da Universidade Federal de Alagoas, Ana Cristina Normande, pesquisadora experiente, que já coordenou a alimentação em creches, em conversa com a Fapeal, explicou que as dúvidas dos pais e a falta de experiência são normais e recomenda a busca por ajuda especializada.

 “Hoje, o marketing atua de forma massiva e a luta é grande. Um bom dado é que foram regulamentadas recentemente leis que asseguram que não haja fortes apelos nas propagandas televisivas a uma alimentação infantil inadequada”, declara a especialista.

Firmino Alves- BA- Brasil- 22/07/2015- O plantio, o cultivo e a colheita de alimentos pelos estudantes do Centro Educacional Monteiro Lobato, da rede estadual de ensino do município de Firmino Alves, no sul do estado, são mais um exemplo da parceria entre sociedade e escola, conforme propõe o programa Educar para Transformar – um Pacto pela Educação. A partir do envolvimento de profissionais voluntários e da comunidade, o colégio ganhou uma horta que produz alface, tomate, coentro e outras hortaliças. Os alimentos são utilizados na merenda escolar e os alunos adquirem novos conhecimentos por meio da atividade que relaciona disciplinas, como Matemática e Biologia, com educação ambiental. Foto: Acervo Monteiro Lobato

Esta medida aponta uma atuação governamental gerada por necessidades já notificadas, que podem servir de apoio para os pais vencerem o desafio de convencer os filhos a optar por um consumo mais saudável.

 “Eu trabalhei cinco anos em creche e percebi que, após os fins de semana, as crianças sempre retornavam com problemas como diarreia e cólicas. Nós desenvolvíamos uma alimentação adequada à idade e intolerâncias de cada um, durante a semana, mas elas chegavam de casa com alguns problemas, devido a falta de cuidados domésticos com a alimentação”, observou.

Lembrando que esse papel requer esforço e tempo dos pais. A responsabilidade não é inteiramente de creches e escolas: a elas só devem ser atribuídas a responsabilidade pelo período em que as crianças estão em suas dependências.

 Porém, ela orienta que é possível para os pais realizar uma reeducação de hábitos e rotinas alimentares para suas crianças. Afinal é comprovado que, se sugerido e encorajado desde cedo, os pequenos aceitam alimentos saudáveis com mais tranquilidade.

O hábito de reunir-se durante as refeições serve de oportunidade para o exemplo. Os pais também devem ficar atentos aos lanches servidos nas instituições, exigindo das cantinas opções variadas, ricas e nutritivas.

 Com pais buscando aproximar-se da vida dos filhos e cobrando o comprometimento também por parte dos profissionais, sendo presentes e atuando em conjunto na discussão, este poderá não será mais um prato tão atual e pesado para a nova geração brasileira.

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