Fapeal viabiliza construção do Banco de Dados da Fala Alagoana

Um projeto de 4 anos criará um acervo digital e permanente em 2016

 

Frequentemente, as pessoas encontram-se desatentas as suas próprias formações linguísticas e não as percebem. O apagamento de algumas sílabas, a nasalização da voz e outros fenômenos são bastante comuns, mas passam despercebidos para quem fala.

A maioria da população não se configura dentro de um mesmo grupo de características, por isso não percebem as próprias expressões e entonações e necessitam ouvir-se para entenderem que fazem parte de um processo e pertencem a um tipo de falante específico.

Partindo deste princípio, o professor doutor em linguística da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), propôs a criação de um projeto que analisasse a linguagem alagoana, focando-se principalmente em sua construção fonológica.

A pesquisa intitulada “Português alagoano” tinha por objetivo construir um banco de dados de falares a partir de várias regiões do Estado, trabalhando os grupos e esta miscigenação distinta que influencia na criação da língua local.

Pesquisa intitulada “Português alagoano” visa construir um banco de dados de falares a partir de várias regiões do Estado

Pesquisa intitulada “Português alagoano” visa construir um banco de dados de falares a partir de várias regiões do Estado

 

“Analisamos os processos fonológicos que apresentam maior ocorrência em grandes grupos e, a partir daí, formam as características das falas ouvidas em Alagoas. A aluna Caroline, integrante do grupo de estudos, está realizando um TCC específico sobre a sílaba ‘Te’ no Estado. A sílaba pode ser pronunciada como ‘Ti’ ou ‘Tchi’, e ocorre com frequência nas palavras terminadas em T devido ao processo de assimilação linguística que inclui o som “Tch”, como em bicoit(ch)o, oit(ch)o, gost(ch)o. Sendo que este processo não é exclusividade só do alagoano, ele se repete em outras localidades do país”, alega o professor.

 

Os estudos começaram em 2013, e sua base inicial de dados será concluída e disponibilizada para o público em 2016. Depois de pronto, o banco nunca terá um término, ou estará completo, pois será constituído anualmente por novas pesquisas a partir de outros grupos, visto que a linguagem não é estática, passando por mudanças ou perdas e isso é significativo para a manutenção dos estudos.

As coletas de dados propunham entrevistar pessoas da forma mais natural possível. Elas não percebiam que estavam sendo analisadas, sabiam do estudo, mas o objetivo era tirar o foco das perguntas e quebrar a seriedade. As gravações aconteciam de maneira despretensiosa.

Elas sabiam do nome geral do projeto, mas as perguntas abordavam a infância, o período escolar, situações que faziam com que elas fossem levadas ao lado mais emocional e ocorria tudo espontaneamente. Ao todo, 15 cidades foram registradas nas pesquisas e contribuíram com os resultados.

A pesquisa final possuirá várias horas de gravações de diversos moradores de todas as partes de Alagoas. O trabalho inclui 20 subprojetos temáticos da variação linguística do Estado, pois o assunto abrange diversas análises acerca dos tópicos de variação no falar alagoano.

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2 respostas

  1. Gerson Marinho disse:

    Por que a matéria não divulgou os nomes dos professores e grupo de pesquisa envolvido?

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