O internacional invade o agreste alagoano e vira objeto de pesquisa apoiada pela Fapeal

O interesse das organizações internacionais que fazem residência fixa e ampliam os olhares sobre a região

Modificar o processo e desenvolver para crescer. Esta é a tradução de um projeto acadêmico que transforma a vida de estudantes e empreendedores afastados da região metropolitana de Maceió, mas que não vivem distantes da cultura científica.

Neste contexto, um professor da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), campus Arapiraca, analisou a viabilidade de construir um estudo que explorasse as vocações locais para atividades de interesse internacional. O pesquisador André Luís Nascimento traçou a proposta, a desenvolvida no agreste alagoano, especificamente em Arapiraca, pelo papel estratégico da cidade na fabricação de bens de consumo na região.

Arapiraca é pontuada pela atuação de empresas originadas fora do estado e até mesmo fora do país, que vem sinalizado os resultados de um impacto positivo a partir de sua implementação. O professor relata que os estímulos para seu estudo ocorreram por meio de sua experiência nos cursos de Administração e Administração Pública, também na Ufal. Neles, ele pôde identificar um movimento localizado nos processos de expansão e interiorização das Universidades Federais no Brasil.

“Eu vim com a vontade de desenvolver o campo do internacional aqui na Ufal. Interessava a mim e ao grupo de jovens professores do qual faço parte. Houve vontade e necessidade de ampliarmos o alcance do debate acerca da Administração Pública, onde o Internacional seria uma fronteira intelectual a se transcender”, explica o estudioso.

Com este intuito, a ideia cresceu e virou projeto de pesquisa, em parceria com a professora Andrea Kanikadan, submetido em 2013 ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). A pesquisa foi aprovada, porém sem aporte de recursos. A equipe passou então a contar com o apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Alagoas (Fapeal), que já visualizava potencial qualitativo no estudo e atualmente financia o segundo ano das bolsas de iniciação científica.

Perspectiva

O pesquisador enxergava possibilidades nos municípios que estavam à margem da zona metropolitana no cenário nacional, como é caso do Agreste Alagoano. Com a evolução dos estudos, a proposta se voltou a realizar análises que construíssem e compilassem um mapeamento do internacional na região e sua influência.

Era preciso incluir nesta sistematização quais redes internacionais circulavam pela região, os atores e agendas transnacionais que habitavam o agreste, e assim começar as pontuar as referências do estudo.

Os pesquisadores já contribuíam para outros grupos científicos, realizando trabalhos nos cursos ministrados por eles no campus de Arapiraca. Juntos, os docentes coordenaram um grupo de estudo intitulado “Estado, Desenvolvimento e Sociedade”, cujo diferencial é aliar suas produções contextualizadas com a inserção de alunos no quotidiano das iniciativas estudadas, trazendo o desenvolvimento de um produto crítico menos acadêmico e mais prático, com o potencial de impactar a vida das pessoas.

No entanto, promover a otimização de áreas estratégicas é um somente um dos objetivos pretendidos. O ponto principal é realizar um mapeamento capaz de ativar as redes empreendedoras no agreste alagoano, uma vez que, dispõe-se de produtos qualificados para expansão internacional.

Com a finalidade de nutrir uma nova Alagoas, o Governo do Estado já compreende a utilidade consolidada de enfocar programas inovadores que oportunizem o desenvolvimento da região. “Arapiraca respira na sua cultura o espírito empreendedor. Isso é tão forte que influencia as outras cidades do agreste de um modo geral. Programas dessa natureza ajudam a aprimorar essa característica local tão definidora do lugar”, explica o orientador.

Embora este projeto reúna linhas de trabalho executadas no âmbito da Universidade, analisando o cenário estadual, este é um tipo de conhecimento capaz de expandir e agregar funções ao administrador público ou geral. Estes objetos de estudo revertem em produtos práticos à comunidade, como um conjunto de informações capazes de articular políticas públicas, projetos de desenvolvimento e captações de recursos, bem como investimentos oriundos de agências internacionais.

A partir desta idealização, o trabalho rendeu frutos. Os professores já obtiveram algumas teses substanciais de conclusão de curso defendidas na Ufal, dentro da temática, o que demonstra que os estudantes estão sensíveis ao internacional como interesse comum, revelando aptidões e promovendo o questionamento.

Jadiaelma Matias, por exemplo, pesquisou sobre o investimento do Banco Mundial no programa alagoano PREPI, um projeto governamental que tinha como slogan a “Alagoas que tem pressa”; Ahron Sharlyton, por sua vez, estudou a Agenda 21, uma agenda do sistema ONU no município de Arapiraca; Thays Santos analisou os Arranjos Produtivos Locais da Mandioca no Agreste e suas potencialidades internacionais; Maria Quitéria, ao explorar as migrações dos cortadores de cana de Alagoas rumo ao Paraná, se aproxima dos estudos internacionais sobre migrações humanas.

Como perspectiva de evolução dos estudos, o grupo delineia aprofundar os mapeamentos nos campos identificados. Essa segunda edição do Pibic, já moldou seu foco ao panorama internacional que permeia a sociedade civil de Arapiraca. Esta atuação ocorre por via das agências internacionais, a exemplo das ONG Visão Mundial e iniciativa católica Caritas Internacionalis. É justamente no campo das solidariedades que o internacional consegue efetivar o seu potencial de trabalho e efeito positivo na vida das pessoas. Munido desses estímulos, os estudos se consolidam e pretendem dar voz às aptidões específicas do agreste alagoano, conduzindo a pesquisa à rotina da população e tornando cada empreendedor um pouco cientista.

 

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