Especialista articula sugestões para o Prêmio de Jornalismo Científico

Em conversa com a Fapeal, pesquisadora compartilha sua experiência de quase 30 anos na área de divulgação da ciência em Alagoas

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Lenilda Austrilino

Pensando em promover debates que proponham pautas aos candidatos, a Secretaria de Estado da Ciência, da Tecnologia e da Inovação (Secti) e a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Alagoas (Fapeal), instituições parceiras no prêmio, irão realizar capacitações que exponham possíveis caminhos aos proponentes que estão pensando sobre o que e como escrever.

Iniciando este processo, a Fapeal conversou com Lenilda Austrilino, especialista em popularização da ciência e professora aposentada da Universidade Federal de Alagoas (Ufal). Mestra em Física Aplicada e doutora em Educação, a professora sempre voltou seus esforços à desmistificação da ciência e à interiorização das ações.

Quando adquiriu condições favoráveis, há 12 anos, iniciou as idas ao interior, acompanhada de um grupo de 14 pessoas. Atualmente, a Caravana de Ciência, Tecnologia e Inovação, em sua última edição levou 40 profissionais, possibilitando universos participativos ao público. A equipe atua promovendo uma ponte entre o conhecimento e o povo, proporcionando conceitos científicos que são básicos e, ao mesmo tempo, importantes.

Pautas que trilham a popularização

 Lenilda Austrilino cita que, hoje, a pesquisa alagoana tem bons resultados e o campo é vasto para quem deseja escrever. A área da Química, por exemplo, possui grupos que trabalham com produtos naturais voltados à resolução de problemáticas na Agronomia. A Farmácia elabora pesquisas que visam identificar princípios ativos em plantas e sua possível utilização como medicamento e outras potencialidades.

 A Agronomia vive uma fase promissora, com discussões que já ganham proporções internacionais, por meio do desenvolvimento genético da cana e do mapeamento de seu genoma. A produção de feromônios para uso agrícola também está sendo amplamente debatida, assim como a Física, que está desenvolvendo pesquisas com laser para o tratamento do câncer de pele. A tecnologia, se utilizada desde o início, encurta o período de tempo do tratamento, pois diminui as chances de se realizar a cirurgia no método tradicional.

Apoio à divulgação

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foto: Naísia Xavier

 “Alagoas tem uma história de tradição no cenário de divulgação científica, e não se deve deixar esta história guardada sem ser narrada e honrada”, complementa a pesquisadora, citando o exemplo de Ladislau Neto.

O botânico alagoano foi um dos primeiros divulgadores da ciência no Brasil, quando foi  diretor do Museu Nacional de História do Rio de Janeiro, em 1876, montando sua divulgação e produzindo materiais científicos.

 Como produzir sem fazer mais do mesmo ou noticiar com credibilidade e comprometimento

Para os jornalistas, a especialista reforça o básico: “além de fontes fidedignas, quem quer fazer uma boa divulgação, seja jornalista ou cientista, deve mostrar os dois ou vários aspectos das da ciência”, indicando uma relação de contraponto entre visões diversas de um mesmo assunto, porque a ciência não é verdade absoluta.

Um modelo exitoso seria o de trazer os impactos que tal pesquisa pode gerar, como os vários aspectos da aplicabilidade, das consequências ambientais e sociais.

“Num segundo momento, o jornalista tem de se atentar à linguagem. Ela merece atenção no texto, necessitando ser o mais acessível possível ao público”. Lenilda teve a oportunidade de organizar três oficinas de jornalismo científico, por considera-lo um assunto de utilidade pública, entretanto, sem grande espaço atualmente.

A educadora enfatiza que o debate deve existir justamente para extinguir o medo que existe em pautar a ciência, e porque sempre a retratam como difícil, distante, um tema complicado de se articular.

 Mulheres na ciência

 A pesquisadora lembra ainda da importância de efetivar o movimento de mulheres na ciência: “Retratar a representatividade é importante para enxergá-las à frente dos grupos de pesquisa e atuando, garantindo que esta cientista se sinta dona e precursora de suas pesquisas. Nós contamos com muitos exemplos disso em Alagoas“, menciona a especialista.

Expondo estas concepções, Lenilda explica que esta trajetória e o seu modo de atuação é apenas uma das formas de enxergar a popularização científica, deixando os jornalistas livres para encontrar o melhor método de enfoque.

 Se aproximando dos 30 anos de trabalhos sistemáticos voltados a este tipo de divulgação, ela enaltece a relevância de se fomentar e conhecer mais sobre os universos maravilhosos desta cultura.

 Quando perguntada sobre porque continua suas atividades mesmo estando aposentada, ela conclui sua fala: “Esta é uma responsabilidade social dos cientistas, é importante contar estas histórias, mas viver é maravilhoso, nós precisamos levar um pouco do nosso mundo aonde ele ainda não consegue chegar”, finalizou.

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