Tecnologia e Inovação contribuem para o desenvolvimento de Alagoas
Tecnologia e Inovação contribuem para o desenvolvimento de Alagoas
Quem pensa que ciência, tecnologia e inovação é coisa para nerd, pode até estar certo, mas atualmente a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Alagoas (Fapeal) está buscando meios para popularizar o ramo e tornar o campo um celeiro de oportunidades para o cidadão e para o Estado.
Muitos acreditam que é um ramo complexo e enfadonho, mas a diretora-presidente da Fapeal tenta desmistificar esse paradigma, reforçando uma conclusão que já é velha conhecida: “o segredo é a educação”.
O que a Fapeal está fazendo para popularizar o conhecimento científico em Alagoas?
Janesmar Camilo – A Fapeal construiu ao decorrer de seus 21 anos uma história de vínculos com as universidades - federal, estaduais e privadas - criando um elo com o Governo do Estado no sentindo de criar uma rede de conhecimento entre elas, reforçando o sistema de Ciência, Tecnologia e Inovação (CTI). Sobre a popularização da ciência, infelizmente os jovens cientistas – brasileiros, alagoanos ou não – não dispõem de um tempo específico para poder divulgar a contento. E isso se torna um processo de indução, e neste sentido a Fapeal tem essa missão de induzir. E eu como professora, educadora, tenho essa preocupação também em captar o quanto antes jovens para essa área, principalmente para área de exatas, química, física, biologia, pois se não atinarmos para isso, em breve não teremos mais professores para estes segmentos. Teremos dificuldades em termos pesquisadores nestes setores. Isso é muito importante.
E como chamar mais jovens?
Janesmar Camilo – Isso deve ser provocado desde criança. Desde a escola, do ensino básico, do ensino médio. Apoiando as feiras de ciências. E formando uma consciência de paixão com a ciência. É um mecanismo de atração. Deveria-se apoiar a Semana Nacional de Ciência em Alagoas, implementando a Caravana de Ciência e Tecnologia. Ações em conjunto com as usinas de ciências. E fortalecer ainda mais esse processo.
A geração y (jovens viciados em internet e demais meios eletrônicos) sofre uma tendência em trilhar na ciência e tecnologia?
Janesmar Camilo – Não, creio que não há essa tendência. Eu acredito no seguinte: a nova geração deve ser trabalhada de forma mais lúdica. Pois o sistema educacional formal tem que acompanhar a evolução tecnológica que há no mundo. É eminente. Um exemplo prático. Garotos entre 14, 15, 20 anos, usam quase que cotidianamente a internet. Se utilizarmos bem ferramentas lúdicas e bem trabalhadas elas podem atrair mais os jovens para o mundo científico. Todos os aparatos tecnológicos que hoje temos à disposição devem ser concatenados com o mundo científico para conquistá-los. Nós é que temos que buscar formas mais lúdicas, mais interessantes, mais velozes para atrair adeptos, para que eles sejam futuros químicos, físicos, e não atuem apenas nesses setores, mas em outros também.
Como o Cais Tecnológico pode reverter bons frutos para o desenvolvimento de Alagoas, visto que o mesmo é um espaço para o desenvolvimento de tecnologia de software e hardware, que ficará em Maceió?
Janesmar Camilo – Tudo é uma engrenagem e está ligado a uma cadeia. Como o Cais Tecnológico foi criado pelo Arranjo Produtivo Local de Tecnologia (APL TI) e uma rede de apoiadores, e a partir do momento que você começa a movimentar esse ramo, você inicia uma reação em cadeia que mexe também com o universitário – ou o interessado pelo ramo – em trabalhar com Tecnologia da Informação. São eles os desenvolvedores de software, os estudantes que atuam ou pretendem atuar nesse ramo [segundo estudos, um desenvolvedor de software iniciante ganha em média R$ 5 mil a R$ 15 mil]. Isso funciona não apenas para o ensino superior, mas o básico e o médio também. Deste modo, os estudantes de hoje serão os empreendedores desta fatia do mercado que terão suas empresas de Tecnologia da Informação. Vai atingir positivamente na questão da inclusão produtiva. Temos que trabalhar desde a base. A aptidão mental destes jovens está cada vez maior, e temos que aproveitar isso. Temos que mudar metodologias neste sentido.
E a aproximação, como seria?
Janesmar Camilo – Se hoje não se lêem mais livros como antigamente, o que é uma pena, vamos levar a leitura para a internet. E não através do convencional, que é o que vemos hoje.
A Fapeal facilita esse acesso de que modo?
Janesmar Camilo – Ela busca parcerias e garantem as contrapartidas para diversos processos de indução e fomento na área de ciência, tecnologia e inovação – como o próprio Cais Tecnológico, por exemplo. Hoje nós temos vários tipos de modalidades de auxílio a bolsas e a pesquisas que contemplam professores e universitários das universidades de Alagoas, seja para Ufal, Uneal, Uncisal. Temos uma capilaridade muito boa quanto a isso e estamos nos fortalecendo ainda mais.
Em todo momento, a senhora tocou na tecla do ensino. O nosso grande problema é o ensino ou a falta dele?
Janesmar Camilo - É sim, sem dúvida. O problema é o ensino. Não apenas em Alagoas, mas o país está vivendo isso. A própria presidenta Dilma Rousseff (PT) coloca isso, “ou a gente dá educação de qualidade, ou não haverá mais desenvolvimento social”. Como assim? É porque para atrair empresas, indústrias, seja o que for, temos que ter qualificação, e a qualificação só é boa quando temos uma qualificação desde a educação básica. Então realmente isso é um gargalo e o Estado deve continuar investindo pesado quanto ao problema da educação. Pois é a partir daí que teremos uma base forte para atuar.
Qual seria hoje a menina dos olhos da Fapeal, um projeto que a senhora pudesse destacar?
Janesmar Camilo – Eu destaco o ramo de inovação. Recentemente, foi publicado no site da Fapeal o edital do Pappe, de fomento a iniciativas inovadoras. Esse edital vai disponibilizar R$ 2 milhões da Finep (Financiadora de Estudos e Projetos). Ele abrange desde a área de ciência e tecnologia até a área de comunicação, onde projetos estão sendo analisados. Inovação nada mais é do que a aproximação da academia, geradora de conhecimento, e esse conhecimento é aplicado em empresas de pequeno porte para que elas evoluam. Elas – as empresas – vão dar um salto em ganho de tecnologia e que venham a prosperar com isso.
Como o alagoano está ranqueado no segmento de ciência e tecnologia?
Janesmar Camilo – Depende do ramo, mas no geral, nos últimos dez anos, tem melhorado bastante. Em publicações, concessão de royalties, em trabalhos, tem avançado bastante. Eles demonstram isso por meio de um grande incentivo nas universidades federais. Há hoje um desnivelamento grande de investimentos e de desenvolvimento entre as universidades estaduais e federais. O ideal seria equalizar este desnível e a gente trabalhar sempre em rede. Os grandes grupos de pesquisas da nossa federal sustentando grupos emergenciais, que estão em Arapiraca, Santana do Ipanema, União dos Palmares, em qualquer lugar que tenha universidades federais e estaduais. E essa colocação impacta diretamente em nosso desenvolvimento social. Acreditamos que é uma forma de acelerar esse processo de captação de recursos e de parceria para pesquisas. Grupos por exemplo de professores que financiados pelo Governo do Estado e Fapeal capacitaram e receberam capacitação. Sem o apoio, isso não aconteceria.
O Governo do Estado tem tentado dar esse ‘fôlego’ para munir de condições essas universidades estaduais para diminuir esse desnivelamento?
Janesmar Camilo – Tem tentado sim. Se colocarmos num bolo geral o volume de investimentos que dispomos, hoje chegamos a pouco mais de R$ 1,5 milhão para a fundação. E a Fapeal conta ainda com um repasse mensal de R$ 700 mil, para auxílio à pesquisa, a eventos técnicos. Há ainda toda uma contrapartida de convênios. O segredo é um modo de acelerar esse processo de equilíbrio entre as academias.
Como seria esse processo de aceleração?
Janesmar Camilo – O que acontece normalmente? Geralmente são apoiados apenas projetos e pesquisas, trabalhos em geral, que já estão em fase de excelência. Nós precisamos é olhar mais os emergenciais, para criar condições de crescimento e equiparação com os demais. É investir em mestrados, técnicos ou não em cidades do interior, como em Santana, União, Palmeira, Arapiraca. Para que com os anos, aos poucos tenham sustentabilidade e possam andar com as próprias pernas e conseguir, assim, outros apoios.
Cadu Epifânio
Matéria publicada na Agência Alagoas, na Tribuna de Alagoas e na Tribunahoje.com em 02/10/2011http://www.tribunahoje.com/noticia/6593/tecnologia/2011/10/02/presidenta-da-fapeal-quer-popularizar-ciencia-e-tecnologia-em-alagoas.html



