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Pesquisa apoiada pela Fapeal utiliza quadrinhos digitais para aproximar estudantes do debate sobre mudanças climáticas

Estudo contemplado pelo Prêmio de Excelência Acadêmica destaca o potencial pedagógico das HQs e aponta caminhos para políticas educacionais em Alagoas

Tárcila Cabral/Ascom Fapeal – texto

Fotos: Acervo de Projeto

Aluno interagindo com o conteúdo

A produção científica desenvolvida em Alagoas tem se fortalecido com iniciativas que unem criatividade, inovação pedagógica e responsabilidade socioambiental. Esse é o caso da pesquisa conduzida pelo doutorando Enaldo Vieira, contemplado no Prêmio de Excelência Acadêmica do Governo de Alagoas, concedido por meio da Secretaria de Estado da Ciência, da Ttecnologia e da Inovação (Secti) e da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Alagoas (Fapeal).

O trabalho investigou o uso de cartilhas em quadrinhos digitais (CQD) como ferramenta educativa para discutir as mudanças climáticas, tema que vem adquirindo destaque no cenário global e que exige novas abordagens inclusivas.

Segundo o discente da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), a ideia nasceu da necessidade de atualizar práticas pedagógicas e torná-las mais atrativas para jovens estudantes, o que resultou no artigo publicado em coautoria com Luís Paulo Mercado, José Jamerson Chagas e André Luís Canuto.

“As histórias em quadrinhos foram, por décadas, unanimidade entre adolescentes e jovens, atravessando gerações como um dos formatos de leitura mais acessíveis, dinâmicos e apreciados. Adaptá-las ao contexto digital representa uma oportunidade de estimular o gosto pela leitura em um formato leve, didático e alinhado às linguagens juvenis”, abordou Enaldo Vieira.

Autores do artigo

A pesquisa partiu de um ponto essencial: a educação ambiental precisava dialogar com as formas reais de comunicação das novas gerações. Integrar HQs ao debate sobre mudanças climáticas, ou emergência climática, como ele reforçou, ampliou o engajamento, favoreceu processos autorais e estimulou a compreensão de fenômenos complexos. “A cartilha digital permite que temas como aquecimento global, pegada ecológica ou sequestro de carbono sejam apresentados de forma clara, lúdica e compreensível, sem perder o rigor conceitual”, destacou o pesquisador.

O professor ressaltou, igualmente, que o uso do lúdico no ensino não é novidade, mas ganha novas camadas quando combinado às Tecnologias Digitais da Informação e Comunicação (TDIC). A cartilha em quadrinhos digitais unifica três elementos centrais: narrativa, imagem e linguagem acessível, permitindo que estudantes construam conhecimento por meio de um processo mais leve e interpretativo.

Em sala de aula, o impacto foi imediato. Segundo o pesquisador, as primeiras experiências mostraram alto engajamento tanto entre estudantes quanto entre educadores. O caráter multimodal das CQD estimulou criatividade, leitura crítica e autonomia, ao mesmo tempo em que facilitou o entendimento de conteúdos densos relacionados à emergência climática.

Entre os futuros professores em formação, o retorno também foi expressivo. Eles reconheceram o potencial das cartilhas para diversificar práticas de ensino, integrar diferentes componentes curriculares e ampliar possibilidades de abordagem interdisciplinar.

Da pesquisa ao impacto social

A pesquisa também destaca a possibilidade de incorporação das CQD em políticas públicas estaduais, projetos escolares e iniciativas de educação ambiental. As cartilhas dialogam diretamente com as diretrizes da Base Nacional Comum Curricular (BNCC) e com recomendações internacionais para Educação em Mudanças Climáticas, o que amplia seu potencial de aplicação em redes de ensino.

Enaldo Viera e alunos

De acordo com o estudioso, o material pode ser integrado a projetos interdisciplinares vinculados à Agenda 2030 – planejamento da Organização das Nações Unidas (ONU) – ao ODS 13 (Objetivos de Desenvolvimento Sustentável) e a temáticas como resíduos sólidos, arborização urbana, vulnerabilidade climática e saneamento básico, tópicos especialmente pertinentes ao contexto alagoano.

“As cartilhas digitais fortalecem a autonomia, a autoria e a aprendizagem contextualizada, o que as torna compatíveis com políticas que visam ampliar o uso pedagógico das TDIC na rede pública”, explicou Enaldo Vieira.

O pesquisador destaca, ainda, o papel da Fapeal na consolidação da pesquisa: “Esse fomento representa um incentivo concreto à continuidade e à valorização da pesquisa acadêmica em Alagoas. A Fapeal fortalece a consolidação do produto final, estimula novas investigações e legitima o desenvolvimento de materiais como as cartilhas digitais”, pontuou ele.

Apoio e Resultado

Vieira também comentou que a premiação reconheceu sua produção, mas também ampliou a visibilidade do trabalho e o estímulo para que novas iniciativas sejam desenvolvidas em Alagoas.

Ele lembra que, ao incentivar práticas inovadoras e conteúdos didáticos alinhados às demandas contemporâneas, a Fundação contribui com a qualificação da formação de professores e na expansão das pesquisas sobre educação climática.

A trajetória acadêmica do pesquisador segue em expansão, agora com o desafio de consolidar o projeto no doutorado pela Rede Nordeste de Ensino da Ufal. Em suas palavras: “integrar criatividade, tecnologia e responsabilidade socioambiental é um caminho poderoso para aproximar estudantes da ciência e do mundo real”.