Estudo publicado no Nature Neuroscience mostra que a mudança não significa perda na capacidade intelectual
Deriky Pereira

Você já ouviu falar que o cérebro da grávida diminui na gestação? Foi com essa afirmação que a apresentadora Tárcila Cabral deu início ao programa de número 378 do Minutos da Ciência, publicado na última terça-feira (24), nas redes sociais de Fapeal e de Fapeal em Revista. A resposta, por sua vez, vem de um estudo publicado no Nature Neuroscience que mostrou que, durante a gestação, o cérebro da mulher passa por mudanças, inclusive com redução em algumas áreas. A descoberta foi conduzida por cientistas da Universidade Autônoma de Barcelona e da Universidade de Leiden, na Holanda.
Para entender melhor o fenômeno, cientistas analisaram exames de ressonância magnética do cérebro de mulheres antes e depois da gravidez. E o resultado chamou atenção. É que em várias regiões do cérebro houve redução da chamada massa cinzenta, que é o tecido responsável por processar informações, emoções e memórias. E, segundo o estudo, essa diminuição acontece principalmente em áreas ligadas à cognição social, ou seja, regiões que ajudam a compreender pensamentos, emoções e intenções de outras pessoas.
À primeira vista, a descoberta pode parecer preocupante. Mas os cientistas afirmam que a mudança não significa perda de capacidade intelectual, pelo contrário, os pesquisadores acreditam que o cérebro passa por um processo de especialização, reorganizando suas conexões para se preparar para a maternidade.
De acordo com o estudo, essa reorganização pode ajudar a mãe a reconhecer melhor as necessidades do bebê, interpretar expressões e responder com mais rapidez aos sinais da criança. E mais: essas mudanças não são temporárias. Os exames mostraram que as alterações no cérebro das mulheres ainda podiam ser observadas até dois anos após o parto.
Os pesquisadores também perceberam que essas áreas modificadas do cérebro eram ativadas quando as mães viam imagens de seus próprios bebês. Isso reforça a hipótese de que o cérebro da mulher se adapta biologicamente para fortalecer o vínculo entre mãe e filho. Para os cientistas, trata-se de uma transformação profunda provocada pelas alterações hormonais e emocionais da gravidez. Ou seja: o cérebro da grávida realmente muda, mas essa mudança pode ser uma adaptação evolutiva para ajudar na proteção e no cuidado com o bebê.
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