Edital inédito da Fapeal fortalece a pós-graduação alagoana

Chamada de Apoio à Editoração e Publicação em Periódicos faz parte de uma leva de editais inéditos em Alagoas, que estimulam a qualificação local

Implementar mudanças efetivas na rota científica alagoana. Esta foi uma das metas alcançadas pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Alagoas (Fapeal) em 2016. Com o aporte de cerca de 8 milhões de insumos voltados à área da ciência, tecnologia e inovação, a Fapeal tem estendido o seu escopo de investimentos inovando e amparando novas demandas.

Para suprir as carências locais e elevar o nível da pós-graduação, um dos 15 editais lançados pela Fapeal neste ano, foi o de “Apoio à Editoração e Publicação de Periódicos Científicos”. Sua operacionalização auxilia financeiramente as revistas desenvolvidas por programas da pós-graduação stricto sensu, reconhecidas pelo Ministério da Educação, totalizando em R$150 mil prospectados.

Os oito aprovados são das áreas de Ciências Agrárias; Direito; Educação; Letras e Linguística; História e Sociologia.

Dos aprovados

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Michelle Macedo e Flávia Carvalho.

A Revista Crítica Histórica foi uma das contempladas com recursos financeiros da Fapeal. O centro de pesquisa e documentação histórica da Universidade Federal de Alagoas (Ufal) iniciou sua elaboração em 2010, montando a sua linha editorial e criando a sua concepção ideológica.

Em 2015, as professoras Michelle Macedo e Flávia Carvalho assumiram a sua direção, conferindo dinamismo ao periódico, que é publicado semestralmente.

A Crítica Histórica apresenta conteúdos da História e de áreas afins, dialogando. A cada semestre é proposto um dossiê temático, que é escolhido por um professor organizador da edição. A publicação também recebe textos em fluxos contínuo, que são artigos de temas livres e resenhas.

“Nós temos aqui um espaço para divulgar trabalhos. As pesquisas circulam e este é um canal importante, porque a pesquisa não é feita somente por livros. Os periódicos estão sendo procurados e pela velocidade que alcançam, têm grande competência”, cita Flávia Carvalho.

No intuito de potencializar o trabalho realizado, as docentes acessaram o edital da Fapeal e enxergaram nele uma oportunidade de aperfeiçoar a sua criação e qualificação. A dupla cita que estes recursos são relevantes para garantir a continuidade das atividades, uma vez que, desde que assumiram a edição, encontraram alguns impasses. Com o projeto aprovado, elas irão dispor de subsídios para auxiliar na divulgação científica, diagramação e formatação da plataforma, além das traduções para línguas estrangeiras.

Os critérios de avaliação endossados pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes), que qualifica e dá a nota aos periódicos científicos do Brasil, estão funcionando como um verdadeiro funil na atual fase de contingenciamento dos recursos federais. Com os subsídios fornecidos pelo Governo de Alagoas através da Fapeal, será possível internacionalizar a Revista Crítica Histórica, atendendo aos critérios exigidos.

“Como os nossos conteúdos que estão sendo divulgados atendem às exigências da Capes, temos também o cuidado de requerer que todo o material produzido em colaboração, seja em nível de mestrado e doutorado”, explica a historiadora Michelle Macedo.

A equipe utilizará o valor recebido, similarmente, para atualizar o site. Com o auxílio de um web designer, o formato do periódico será atualizado. A pesquisadora cita, ainda, que o tema da próxima edição será a “História Social das Religiões”. Além disso, o periódico já conta com mais três temas para as veiculações posteriores.

A Revista Latitude, assim como a Crítica Histórica, foi uma das aprovadas na chamada. Ela integra as atividades extracurrilares do programa de pós-graduação em Sociologia da Ufal, e possui como editores os professores Fernando Rodrigues e Paolo Totaro. O primeiro desenvolve trabalhos com a Sociologia da Cultura, da Violência e das Periferias, e o último elabora pesquisas sobre a Sociologia do Consumo e Métodos Quantitativos.

A Latitude iniciou suas publicações em 2007, com o intuito de divulgar a produção científica qualificada, porém buscando referências interdisciplinares em suas divulgações. O professor Fernando Rodrigues explica como é realizado o método de apuração e escolha de trabalhos para avaliação:

“O principal aspecto de seleção é identificar artigos decorrentes de pesquisas científicas de diferentes áreas das humanidades, pois nós trabalhamos com o formato de dossiês que permitem que exploremos temas específicos em números”, alega o editor.

Rodrigues afirma que desta forma estes textos especiais são propostos por pessoas que têm interesse em determinadas temáticas, em conjunto com alguns dos professores do PPG de Sociologia. Uma vez que a revista segue o protocolo acadêmico, os artigos são avaliados às cegas e por pares e, hoje, a Latitude encontra-se indexada a importantes plataformas de divulgação científica.

Produtos significativos

Os resultados dos estudos já têm repercutido em reflexões relevantes. A existência da publicação e o seu crescimento auxilia na sensibilização dos leitores para determinados agentes públicos, ONGs, movimentos sociais e agentes de mercado para a importância das pesquisas nas tomadas de decisões e na realização de escolhas.

A partir destes produtos, o periódico tem auxiliado a inserir temáticas positivas no PPG, mas também consegue ampliar o espaço de publicação, tanto para a produção das universidades alagoanas, como de importantes pesquisadores nacionais e internacionais. Estes pontos demonstram um aumento no intercâmbio acadêmico e nas possibilidades de especialização dos pesquisadores.

O estudioso cita que o apoio da Fapeal através destes editais é fundamental para a divulgação da atividade científica, criando áreas de debates sobre as realidades alagoanas e brasileiras: “É urgente criarmos novos espaços de discussão sobre a realidade alagoana e regional em bases científicas, reduzindo o papel dos achismos e de preconcepções”, explica o professor.

O Governo do Estado, por intermédio da Fapeal, atua no cenário da educação superior, buscando oportunizar uma nova Alagoas, que tem condições e fomento para promover pesquisas de nível internacional. Rompendo com estes desafios e cumprindo com os seus propósitos, a fundação enaltece o trabalho do seu público, os pesquisadores, que através da meritocracia, estão conquistando os espaços que merecem.

 

OBS: Uma versão resumida desse texto foi veiculada com na edição impressa do jornal O Dia Alagoas, datada de16 a 22 de setembro.

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