Programa inicia sexta temporada com jovens cientistas que estrelam espetáculo baseado no biodrama, técnica que mistura ficção e realidade
Deriky Pereira

Após um breve período de recesso, o Minutos da Ciência deu início a sua sexta e última temporada na última sexta-feira (9) com a participação de jovens cientistas que integram o Programa de Bolsas de Iniciação Científica Junior (Pibic Jr.) e fazem parte do projeto Laboratório de Criação Cênica. Coordenado pelo professor Jailton Junior, da Escola Estadual Theonilo Gama, que fica no bairro do Jacintinho, em Maceió, os estudantes estrelam um espetáculo intitulado A Vida Passou a ser Minha Maior Ficção baseado na técnica biodrama, que incentiva os estudantes a transformarem suas próprias memórias, vivências e identidades em material cênico.
De acordo com o professor Jailton Junior, a ideia do Laboratório de Criação Cênica surgiu como uma necessidade de desenvolver prática teatral verdadeiramente significativa no espaço da escola pública. “Eu acredito muito que o teatro só consegue atingir o objetivo do teatro quando ele se assume como teatro, como ele se assume como uma pesquisa e a pesquisa em teatro demanda um tempo, demanda um investimento nisso. Então, participar do Pibic Jr. foi fundamental para garantir o espaço [do teatro na escola], para garantir essas possibilidades como recursos de iluminação, requalificação do auditório da escola e transformá-lo num espaço propositivo para as artes”, celebrou o docente.
Com a palavra, os bolsistas
Segundo Fernanda Kauany, a pesquisa em arte se mostrou algo muito importante tanto para ela como em prol do processo de aprendizado e prática do biodrama. “Toda a nossa pesquisa se embasa numa criação, mas a nossa criação também se baseia numa pesquisa e como que as duas se complementam”, contou.
A estudante Isadora Silva, uma das bolsistas do projeto e atriz do espetáculo revelou o motivo pelo qual decidiu participar desta iniciativa: “Foi porque eu amo atuar, simplesmente isso. E quando o Jailton [professor] me mostrou o caminho do biodrama, do teatro biodramático, eu fiquei: ‘nossa, isso vai ser muito interessante pra fazer. O processo biodramático, pra muitas pessoas, pode ser um pouco doloroso porque as pessoas podem ter algumas feridas abertas ou que não estão cicatrizadas ou que não foram resolvidas, mas eu acredito que, com o biodrama, a gente consegue sair da nossa zona de conforto e ver se tem algum tipo de solução ou conforto dentro do problema”, refletiu.

A fala de Isadora foi reiterada pela estudante Analice Santos, que destacou a importância de sair dessa zona de conforto. “Basicamente, o nosso maior sentido, nessa atuação toda, nesse projeto todo, é fazer e incentivar as pessoas que elas consigam sair dessa zona de conforto porque, de fato, é algo desafiador. Nós somos pessoas mais novas, queremos mostrar isso e espalhar pro mundo, que ficar muito tempo nessa zona de conforto pode ser algo que lhe atrapalhe na vida”, disse ela.
Clique aqui e acompanhe o projeto Laboratório de Criação Cênica. Já neste link você acompanha o programa 355 do Minutos da Ciência na íntegra.
Importância social e científica

O Programa de Bolsas de Iniciação Científica Júnior (Pibic Jr) é uma ação conjunta entre a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Alagoas (Fapeal), a Secretaria de Estado da Ciência, da Tecnologia e da Inovação (Secti) e a Secretaria de Estado da Educação de Alagoas (Seduc) e integra o pacote de editais do programa “Mais Ciência Mais Futuro”, lançado pelo governo de Alagoas.
Assim, o Programa tem como objetivo despertar a vocação científica, tecnológica, empreendedora e artística na juventude alagoana com o intuito de incluir a educação pública como eixo fundamental do ecossistema de inovação no estado, além de contribuir para seu desenvolvimento socioeconômico.
Para a coordenadora do Pibic Jr. em Alagoas, Janaina Silva, é muito satisfatório e gratificante ver os resultados do Pibic Jr. por meio de um projeto como esse que acolhe a realidade dos estudantes em todas as suas nuances.
“E quando tudo isso ocorre sendo viabilizado por um processo de pesquisa é algo que reforça ainda mais a importância social e científica e principalmente a importância dos investimentos que o governo de Alagoas, por meio da Fapeal, tem feito nesse ecossistema de inovação que beneficia também a iniciação científica na educação básica do estado”, celebrou Janaina.

