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Minutos da Ciência apresenta o Maracutaia d´Água, projeto Pibic Jr., do Ifal de Marechal Deodoro

Programa conversou com orientador e estudantes que compartilharam experiências sobre o projeto e como vem sendo participar da iniciativa

Deriky Pereira

Fotos: Acervo Projeto

Na última sexta-feira (23), a equipe do Minutos da Ciência viajou até o campus do Instituto Federal de Alagoas (Ifal) em Marechal Deodoro para conhecer mais um projeto que integra o Programa de Bolsas de Iniciação Científica Junior (Pibic Jr.) Trata-se do Maracutaia d’Água, mais um projeto que integra a Trilha de Cultura do edital. O projeto é coordenado pelo professor Thiago Bianchetti que falou sobre o nome do projeto e explicou também sobre a origem do termo ‘maracutaia’.

“O termo maracutaia vem da origem da palavra banto e quer dizer ‘planejar algo, desenvolver algo, organizar algo. Mas, geralmente, o que a gente escuta sobre as palavras de língua banto no português? Escuta algo que, geralmente, está associado ao maléfico, associado a algo ruim. Mas maracutaia é uma palavra de organização, principalmente da população negra. Então, a gente coloca o termo ‘maracutaia’ como uma provocação para a gente chamar a galera pra discutir sobre o racismo, não só no Ifal, mas no estado de Alagoas. Isso veio como forma de oportunidade há cerca de 10 anos e agora [a gente está] se reinventando com o projeto no Pibic Jr.”, contou.

Segundo ele, por meio do edital lançado pela Fapeal, foi possível fazer uma espécie de renovação no projeto Maracutaia d’Água. “A partir do edital, nós conseguimos comprar novos instrumentos, articular novos profissionais e começar a organizar estudantes que poderiam somar e estar junto, aprendendo, não só sobre a musicalidade do maracatu, dos blocos afro, mas também sobre a questão racial, questão histórica do Brasil, da nossa formação como povo alagoano e também como essa musicalidade está no cenário alagoano e que por conta de alguns eventos mais violentos no estado isso se perdeu”, completou Thiago.

A estudante Lavínia Acioli contou sobre sua experiência no projeto: “Eu sempre gostei muito de arte e o projeto engloba várias áreas da arte, por exemplo, engloba a dança que você, enquanto toca, é impossível ficar parado; e engloba também a música que é o principal, o sentido da visão porque, como nosso próprio nome diz, a gente quer trazer o Carnaval. As nossas roupas, por exemplo, também são bem coloridas quando a gente pode, nossos instrumentos são todos decorados, com coisas bem coloridas…”, recordou.

Instrumentalidade do projeto

O estudante Gabriel Cardoso, também conhecido como Latrell, falou sobre um dos motivos que o levaram a participar do projeto: “Eu lembro que teve um encontro com o pessoal do projeto onde o instrumento que mais me chamou atenção foi a alfaia pelo fato de ela ser maior e tal… E desde pequeno eu gosto de instrumentos percussivos e o projeto Maracutaia d’Água me chamou muita atenção por conta disso, pelo fato de ele ser percussivo”, recordou o bolsista.

O professor Thiago reforçou a fala do estudante ao destacar também a importância da instrumentalidade do Maracutaia d´Água. Segundo ele, junto à Fapeal, o importante é justamente o debate e a construção da musicalidade.

“Nesse percurso, sem políticas públicas para isso, fica inviável, fica impossível, pois o estudante se apoia na bolsa, o projeto, para acontecer, precisa da materialidade e aí, foi o momento certo: veio o edital, a gente observou que existia a possibilidade dessa Trilha de Cultura, a gente submeteu e, dentro dessa proposta de aprovação, a gente vem fazendo o possível para que a musicalidade afro-alagoana possa se destacar na escola pública que é o Ifal de Marechal Deodoro em seu serviço público”, refletiu o docente.

A coordenadora do Pibic Jr. em Alagoas, Janaina Silva, celebrou a visita e a oportunidade de ver de perto a atuação de mais um projeto de iniciação científica: “O Maracutaia é um dos projetos da nossa Trilha de Cultura que aborda a capoeira e reforça a importância dela enquanto manifestação cultural afro-brasileira que une luta, dança, música e resistência por meio do Pibic Jr. com o apoio do governo de Alagoas e em parceria com a Secti e a Seduc [Secretaria de Estado da Educação]. Para nós é motivo de muita felicidade contribuir para o desenvolvimento de um projeto que funciona dentro do espaço escolar como ferramenta de inclusão social e educação”, celebrou Janaina.

Sobre o Pibic Jr.

O Programa de Bolsas de Iniciação Científica Júnior (Pibic Jr) é uma ação conjunta entre a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Alagoas (Fapeal), a Secretaria de Estado da Ciência, da Tecnologia e da Inovação (Secti) e a Secretaria de Estado da Educação de Alagoas (Seduc) e integra o pacote de editais do programa “Mais Ciência Mais Futuro”, lançado pelo governo de Alagoas.

Assim, o Programa tem como objetivo despertar a vocação científica, tecnológica, empreendedora e artística na juventude alagoana com o intuito de incluir a educação pública como eixo fundamental do ecossistema de inovação no estado, além de contribuir para seu desenvolvimento socioeconômico.