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Minutos da Ciência investiga relação entre intestino inflamado, sono ruim e piora na saúde mental

Programa apresentou dados de pesquisa feita por estudiosos da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo

Deriky Pereira

(Ilustração: Jonatan Sarmento)

Qual a relação entre intestino inflamado, sono ruim e piora na saúde mental? Foi com essa pergunta que as apresentadoras deram início ao programa de número 360 do Minutos da Ciência, publicado nas redes sociais de Fapeal e de Fapeal em Revista na última terça-feira (27) como parte dos especiais em alusão à campanha Janeiro Branco que visa promover ações de cuidado com a saúde mental. E a resposta vem de um estudo pioneiro feito por pesquisadores da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP).

Uma equipe multidisciplinar que envolve nutricionistas, coloproctologistas, fisioterapeutas e profissionais de educação física analisou informações de pacientes com a doença de Crohn e encontrou evidências de que as doenças inflamatórias do intestino estão mesmo associadas a problemas de saúde mental. O estudo, que é pioneiro, mostrou que aqueles com inflamação ativa no intestino tinham quase três vezes mais chances de ter sono de má qualidade, cansaço ao acordar, além de fadiga e sintomas de ansiedade e depressão.

A doença de Crohn é uma inflamação crônica autoimune que afeta principalmente o final do intestino delgado e o intestino grosso, com quadro que alterna entre crises de inflamação ativa e períodos de remissão quando sintomas estão controlados ou ausentes. E mais: a pesquisa detectou ainda que mais de dois terços dos pacientes avaliados apresentavam inflamação intestinal ativa e problemas de sono, onde 69% disseram que o descanso não era reparador e 71% classificaram como ruim a qualidade do sono.

Para chegar aos resultados, o grupo investigou a relação entre inflamação intestinal e qualidade do sono a partir das análises clínica e laboratoriais com quantificação dos níveis de calprotectina fecal, um biomarcador que indicava atividade inflamatória do intestino quando acima de 250 microgramas. Já a avaliação do sono foi feita por meio do Índice de Pittsburgh e da Escala de Epworth, questionários para avaliar níveis de ansiedade e depressão e acelerometria, dispositivo que parece um relógio usado durante a noite, para medir objetivamente o tempo de adormecer e os despertares noturnos.

Assim, ao demonstrar a forte correlação entre atividade inflamatória, piora do sono e sintomas emocionais, o estudo amplia a compreensão clínica sobre a doença e destaca a importância de incorporar a avaliação do sono, o apoio psicológico e a atenção nutricional ao cuidado de rotina.

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