Orientado pelo professor Diego da Guia, projeto apoiado pelo governo de Alagoas acontece no campus do Ifal no Benedito Bentes
Deriky Pereira
Você sabe o que são cidades inteligentes e como elas surgiram? Foi com esse questionamento que o Minutos da Ciência deu início à segunda temporada da série especial de projetos do Programa de Bolsas de Iniciação Científica Júnior de Alagoas (Pibic Jr Alagoas) com a edição de número 370, publicada nas redes sociais de Fapeal e de Fapeal em Revista na última sexta-feira (6). A resposta, porém, foi apresentada pelos jovens cientistas do projeto Mobilidade Urbana na perspectiva de cidades inteligentes: análises e aplicações para a cidade de Maceió, desenvolvido no campus do Instituto Federal de Alagoas (Ifal) no Benedito Bentes, parte alta da capital. O vídeo que já conta com mais de 5 mil visualizações pode ser visto aqui.
“Devido ao processo de urbanização e industrialização as cidades passaram a enfrentar muitos desafios. Segundo um dado de 2022 da ONU-Habitat, até 2050 cerca de 68% da população viverá em áreas urbanas, o que vai intensificar esses desafios já existentes. Dessa forma a ONU propôs a Agenda 2030 e nela se destaca, no nosso projeto, o Objetivo 11, que se refere a cidades e comunidade sustentáveis. Assim, as Cidades Inteligentes, conhecidas como Smart Cities surgem para alcançar esse desafios. As Cidades Inteligentes são cidades que que utilizam tecnologia, inovação e planejamento para melhorar a qualidade de vida da população”, explicou a bolsista Laura Sales.
Objetivos e metodologia
A estudante Hadassa Carvalho contou ao público sobre o objetivo do projeto: “O nosso objetivo foi analisar atividades de mobilidade urbana associadas às dimensões de cidades inteligentes que possam ser aplicadas na cidade de Maceió. Estudamos como outras cidades do Brasil e do mundo enfrentam desafios relacionados ao trânsito, transporte público, acessibilidade e sustentabilidade, para pensar soluções viáveis para a nossa realidade”, disse ela.
Já de acordo com a estudante Lilyan Barros, o projeto utilizou relatórios e rankings internacionais, como o Cities in Motion, do IESE Business School, e o Ranking Connected Smart Cities em sua metodologia. “Analisamos indicadores como ciclovias, transporte sustentável, semáforos inteligentes, emissão de poluentes e integração entre modais. Depois, confrontamos esses dados com os problemas reais da cidade de Maceió, buscando propor soluções possíveis e adaptadas ao nosso contexto”, contou.

Soluções Desenvolvidas
No decorrer do projeto, orientado pelo professor Diego da Guia, os estudantes desenvolveram quatro soluções.
“O TrackPoint, aplicativo para registrar ocorrências e avaliar a segurança em pontos de ônibus; o TotalAccess, aplicativo de segurança para mulheres, com denúncia de assédio, botão de emergência, mapeamento de riscos e compartilhamento de rotas; o TechCity, jogo educativo, físico e digital, que conscientiza estudantes sobre as dimensões das cidades inteligentes; e o NuviMobi, aplicativo que atua em dias de chuvas intensas, oferecendo alertas climáticos e rotas mais seguras”, explicou Anna Rebeca, outra bolsista do projeto.
Experiência, Eventos e Impacto Social
A estudante Manuela Tavares classificou a experiência neste ciclo como transformadora. Ela também listou conquistas da equipe durante todo o ano de atividades.
“Participar do Pibic Jr. foi uma experiência transformadora. Estudamos mobilidade urbana, indicadores internacionais, sustentabilidade, inovação e tecnologia aplicada à realidade local.Participamos de maratonas e desafios como a Maratona Pibic Jr., o Desafio Super Connect, NASA Space Apps Challenge e a HackAcademy Girls. Além disso, apresentamos o projeto em eventos acadêmicos como SINPETE, CONEDU e IWPPO, além de feiras científicas como Ciência Jovem, a Feira Nordestina de Ciência e Tecnologia (Fenecit) e Milset Brasil, um dos mais inclusivos espaços de estímulo à cultura científica no país”, contou.
E ela disse mais: “Conquistamos o segundo lugar na Ciência Jovem e na Milset, com credenciamento para eventos no México e Porto Rico, além de premiações em todas as maratonas que participamos. Também tivemos a oportunidade de participar de momentos importantes de debate com a sociedade, como a Conferência Municipal das Cidades e o Amazônia +10, ampliando nossa visão sobre políticas públicas, planejamento urbano e participação cidadã”, concluiu Manuela.
Ciência alagoana em destaque
O professor Diego da Guia, orientador do projeto, destacou que o Pibic Jr. é essencial no fortalecimento da pesquisa na educação básica em Alagoas.
“A parceria com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Alagoas [Fapeal], a Secretaria de Estado da Ciência, da Tecnologia e da Inovação de Alagoas [Secti] e o governo de Alagoas possibilita que estudantes se tornem protagonistas na construção do conhecimento científico. Esse apoio foi fundamental para o desenvolvimento do nosso projeto e para ampliar as oportunidades acadêmicas e científicas desses jovens pesquisadores”, celebrou Diego.
Já a coordenadora do Pibic Jr. em Alagoas, Janaina Silva, destacou sua alegria em conhecer de perto as atividades desenvolvidas pelos estudantes, apontando ainda o empenho deles em cada ação.
“É sempre muito satisfatório visitar os projetos do Pibic Jr. Alagoas, e este não foi diferente. E este, por sua vez, que trata de um tema muito relevante e de forma muito inspiradora a medida que gera soluções com intuito de contribuir para a melhoria da vida nas cidades. Projetos como esse incentivam estudantes a serem pesquisadores por meio de metodologias que aguçam a criatividade e a criticidade dos nossos jovens pesquisadores. Como coordenadora do Programa fico muito feliz em acompanhar de perto o desenvolvimento de cada ideia”, concluiu Janaina.
Sobre o Pibic Jr.
O Programa de Bolsas de Iniciação Científica Júnior (Pibic Jr) é uma ação conjunta entre a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Alagoas (Fapeal), a Secretaria de Estado da Ciência, da Tecnologia e da Inovação (Secti) e a Secretaria de Estado da Educação de Alagoas (Seduc) e integra o pacote de editais do programa “Mais Ciência Mais Futuro”, lançado pelo governo de Alagoas.
Assim, o Programa tem como objetivo despertar a vocação científica, tecnológica, empreendedora e artística na juventude alagoana com o intuito de incluir a educação pública como eixo fundamental do ecossistema de inovação no estado, além de contribuir para seu desenvolvimento socioeconômico.

