Programa reuniu apresentadores de diversas fases para comentar memórias e fechar ciclos
Deriky Pereira

O ano era 2020 e o mundo atravessava a pandemia da covid-19 que, com ela, trouxe um aumento do tempo de uso de tela pelas pessoas. Um levantamento divulgado pelo Estudo Longitudinal da Saúde do Adulto (ELSA-Brasil) em 2021 indicou que a pandemia aumentou em mais de 62% o tempo de exposição contínua a telas de celulares, tablets, computadores e TVs, por exemplo. Outro levantamento do Business Insider, ainda em 2020, mostrou também que o número de transmissões ao vivo pelas redes sociais registraram aumento de 70% e as pessoas passaram cada vez mais a utilizar as plataformas em busca de alternativas frente aos informes sobre a pandemia ou até mesmo para saber informações mais fidedignas em contraponto a onda crescente de desinformação que se espalhava.
Foi pensando nisso que, ainda em 2020, as equipes de Fapeal em Revista e da Assessoria de Comunicação (Ascom) da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Alagoas (Fapeal) se uniram para dar início a um formato que tinha foco em popularizar a Ciência por meio da boa informação e do jornalismo profissional: nascia, em 5 de junho daquele ano, o Minutos da Ciência, apresentado por Deriky Pereira (Fapeal em Revista) e Tárcila Cabral (Ascom/Fapeal). O piloto mesclava informações de matérias produzidas pela Fundação e outras relacionadas à pandemia como forma de ser um instrumento de prestação de serviços. E assim, a cada nova edição, ele foi se desafiando a cumprir a sua meta, consolidando-se a cada semana como um novo espaço de informação e popularização da Ciência.
Seis anos depois, no mesmo 5 de junho, mas em 2026, a equipe lançou a edição de número 400, reunindo apresentadores das mais variadas fases para sentar-se frente às câmeras e compartilharem memórias, vivências e falarem sobre a experiência de participar deste projeto que, ao longo dos anos, se consolidou como referência no meio. “Quando a gente começou esse projeto era lá em 2020, o mundo atravessava uma pandemia, era tudo novo e a gente estava entendendo o formato. A gente gravava em casa. Eu, por exemplo, gravava ali pela meia-noite para evitar ruído, barulho, o que fosse. Mas agora, olhando para trás e olhando para o agora, seis anos, 400 programas… É uma marca incrível”, recordou Deriky durante o programa.
Uma blusa e um novo talento
Uma das mais novas apresentadoras, Paula Ferreira recordou que caiu de paraquedas no comando do Minutos da Ciência.
“Eu caí [no Minutos] de paraquedas por causa da cor da blusa no dia em que eles estavam gravando o programa para o Outubro Rosa [mês em alusão ao combate e prevenção ao Câncer de Mama] e me convidaram para fazer a abertura do programa por conta da cor da blusa”, recordou ela, complementando que gostou da participação e trazendo um motivo mais que especial para seguir fazendo os vídeos: sua filha.
“Uma das coisas que me venceu, me faz vencer a timidez para estar aqui nos programas aos quais eu sou convidada a participar também é o fato de que a minha filha me adora ver nos vídeos. Ela diz que é mais um trabalho que a mamãe realiza”, contou, sorridente.
Reconhecimento
Há três anos no quadro de apresentadoras do Minutos da Ciência, Eloísa Ferreira recordou alguns dos momentos marcantes em sua trajetória no comando do programa. Uma delas foi a sua primeira aparição, onde ela foi reconhecida e se surpreendeu. “Estou aqui apresentando há três anos e eu lembro do meu primeiro vídeo que saiu e uma pessoa me parou no ônibus para perguntar se eu era a menina do vídeo. Então, isso me marcou muito”, disse.
Eloísa recordou ainda de um outro programa que gostou de gravar e também recebeu questionamentos do público: o de uma pesquisa que mostrou se os homens poderiam, um dia, desaparecer da face da terra. O programa, à época, contou com Eloísa e Tárcila Cabral no comando na sede da Fundação enquanto Deriky Pereira aparece, em ambiente externo, simulando o ‘desaparecimento’. “Eu me lembro também de um outro vídeo que eu gravei onde a Tárcila me pergunta se seria possível os homens sumirem da Terra e também uma pessoa me parou pra me perguntar sobre a resposta que eu dei, enfim, no vídeo”, contou.
Para ela, participar do Minutos da Ciência é algo que lhe faz bem e traz aproximação com sua profissão de Relações Públicas, outra área da comunicação. “Eu me sinto muito bem fazendo o Minutos da Ciência, sempre contribuindo com o programa, acho que é algo que também me aproxima mais da minha formação, porque eu também sou da Comunicação e isso sempre me traz boas lembranças e… É isso”, disse ela, emocionada.
“Não espere estar pronto para começar algo”
Esse foi o início de uma frase apresentada por Karla Lima, coordenadora do Programa Professor Mentor (PPM), que também emprestou seu talento por muitas vezes para diversas ocasiões do Minutos da Ciência. Convidada a participar da edição especial em celebração aos 400 programas, ela, bastante emocionada, refletiu sobre o momento e decidiu emprestar, mais uma vez, sua voz e seu talento para classificar suas participações no programa desde o início.
“O que vem na minha cabeça quando eu penso no Minutos da Ciência é uma frase que ela é clichê, mas que pra mim ela é muito verdadeira: Não espere estar totalmente pronto para começar algo. O Minutos da Ciência me veio como um desafio na minha vida pessoal e profissional. Foram momentos de muitas trocas, muito aprendizado e muita diversão também e são momentos que eu vou levar… Pra minha vida! Então, eu fui muito feliz fazendo o Minutos da Ciência e sou muito grata por ter feito parte disso”, celebrou Karla, em tom de emoção e gratidão.
Nostalgia e realização de sonhos
Integrante do projeto desde a primeira edição, a apresentadora Tárcila Cabral não ficou de fora deste especial. Mesmo em período de licença-maternidade, Tárcila arrumou um tempo do seu dia a dia para mandar um recado repleto de nostalgia e realização de sonhos ao recordar momentos de sua participação no comando do programa. Nas primeiras edições, inclusive, a jornalista também escrevia o roteiro de alguns programas, movimento que também fez ao preparar o programa no qual ela cita no especial como um dos mais marcantes.
“Celebrando esse marco de 400 programas eu digo que o programa que mais me trouxe significado foi o que eu gravei há exatamente um ano sobre o Wolff-Parkinson-White. Ele saiu um pouco depois, no caso, quando eu já estava recuperada, mas foi um programa que foi muito importante para falar da minha recuperação e trazer a informação para muitas pessoas sobre um evento que foi tão complicado e, ao mesmo tempo, muito importante para mim. E agora, exatamente um ano depois, eu estou aqui com meu presentão, o Rael que está em meus braços, meu colo… Então, são dois marcos, né?”, celebrou ela, que gravou a participação com o pequeno nos braços.
Sensação de missão cumprida
Após seis anos e 400 edições, todos que passaram e/ou estiveram no Minutos da Ciência e, em especial, os apresentadores desta edição comemorativa sentem, juntos, praticamente a mesma coisa: uma sensação de missão cumprida.
“Participar desse programa é uma experiência única. Um desafio. Por isso mesmo essa era uma data que não poderia passar em branco. 400 programas é, realmente, um marco histórico. O que vem por aí? Eu, sinceramente, não sei. Mas o que veio, até aqui, eu digo que veio para marcar… E marcou!”, concluiu Deriky Pereira, editor-chefe de Fapeal em Revista e do Minutos da Ciência.
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