DestaqueMinutos da CiênciaNotíciasRevista

Minutos da Ciência revela se combo com antiparasitários e vitamina D curam o câncer

Boato circulou pelas redes sociais e foi verificado por agências de checagem e pelo Ministério da Saúde

Deriky Pereira

Foto: Reprodução/Internet

“Ivermectina, fenbendazol e vitamina D… Descobriram a cura do câncer? Pera lá, não é bem assim não.” Foi com essa afirmação que a apresentadora Paula Ruana deu início à edição de número 397 do Minutos da Ciência, publicado nas redes sociais de Fapeal e de Fapeal em Revista na última terça-feira (26). A resposta, porém, foi verificada por diversas agências de checagem e pelo próprio Ministério da Saúde que cravou: nada disso procede!

Tudo começou a partir da circulação de um conteúdo audiovisual pelas redes sociais onde um homem conta a suposta história de uma mulher que estava com câncer no endométrio, em estado de metástase. “E que quando ela começou a tomar esse combo, teria notado regressão do tumor e, posteriormente, nenhuma lesão teria sido detectada. Mas o protocolo não é eficaz, ou seja, é falso dizer que esse combo cure a doença”, completou a apresentadora Eloísa Ferreira.

Quem reforça é o próprio Ministério da Saúde, ao frisar também que abandonar terapias validadas por métodos sem comprovação científica configura risco grave ao paciente. “No SUS, o tratamento segue diretrizes baseadas em evidências científicas priorizando quimioterapias e, em casos específicos, a imunoterapia”, explicou Paula Ruana durante o programa.

Efeitos do combo

A ivermectina – sempre ela, já perceberam? – é um antiparasitário, ou seja, usados como vermífugos na medicina humana e veterinária, respectivamente; o fenbendazol, além de antiparasitário, tem uso proibido em humanos, sendo indicado somente para tratamento em animais. Já a vitamina D ajuda, sim, na saúde óssea e no crescimento e desenvolvimento da musculatura. No entanto, ela é um nutriente e não tem, por si só, capacidade para curar um câncer.

Por outro lado, o tratamento de câncer de endométrio é individualizado e baseado em evidências científicas robustas que podem incluir cirurgia, radioterapia, quimioterapia, imunoterapia e terapias-alvo a depender do perfil molecular do tumor e nem a vitamina D, nem a ivermectina ou o fenbendazol fazem parte disso.

Além disso, nenhuma dessas citadas fazem parte de diretrizes internacionais ou nacionais e nem são recomendadas por órgãos reguladores como a nossa Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) ou o Food and Drug Administration (FDA), dos Estados Unidos, órgão equivalente à Anvisa no Brasil.

Clique aqui e assista ao programa completo.