Programa exibe dois dos quatro projetos com a temática e conversa com estudantes e seus coordenadores sobre as iniciativas
Deriky Pereira

Ao finalizar a primeira temporada da série especial com projetos do Programa de Bolsas de Iniciação Científica Júnior de Alagoas (Pibic Jr Alagoas), o Minutos da Ciência exibiu, na última sexta-feira (30), o programa de número 361 que apresentou dois dos quatro projetos que envolvem a Capoeira Angola, sendo eles de dois campi do Instituto Federal de Alagoas (Ifal): um de Marechal Deodoro e outro de Arapiraca. Na ocasião, a equipe conversou com estudantes e seus respectivos orientadores sobre a experiência de participarem dos respectivos projetos. Clique aqui e veja.
O professor Zilas Nogueira, coordenador de um dos projetos, explicou que mesmo sendo quatro projetos que envolvem a Capoeira Angola, cada um deles tem a sua particularidade, o que reforça a pluralidade do tema e o quanto ele pode ser explorado. “Os fundamentos desta capoeira se manifestam de forma diferente em cada um deles. E isso é importante para a gente entender a diversidade com a qual a capoeira foi construída, produzida e criada pelos negros escravizados aqui no Brasil”, refletiu o pesquisador.
Paixão pela capoeira
A Capoeira Angola conquistou tanto o coração e a preferência de Júlyo Ancleson que ele, mesmo depois de concluir o ensino médio, decidiu seguir no projeto como voluntário. Em conversa com a equipe do Minutos da Ciência, ele revelou que integrar o Pibic Jr. lhe fez ver o potencial imenso que a capoeira tem: “Hoje eu entendo que a capoeira é mais que uma simples arte marcial ou mais que uma simples história de um povo. Ela é a cultura popular e tradicional do povo negro que resistiu contra a escravidão do passado. E eu queria destacar ainda uma frase de um grande mestre do mundo da capoeiragem quando ele diz que ‘a capoeira é a pedagogia do oprimido'”, refletiu.
Já a estudante Jaqueline Silva contou que participar do projeto lhe trouxe, dentre outras coisas, um novo jeito de ver a vida. “Antes de entrar no projeto, eu era uma pessoa mais reservada, muito difícil de fazer amizades… Mas quando entrei no projeto, conheci novas pessoas, comecei a saber a lidar com opiniões diferentes e eu fico muito feliz de integrar esse projeto, sabe? Eu pretendo levar isso para o resto da vida”, revelou.
Rompendo barreiras e preconceitos
A estudante Juliana Barbosa relembrou que a prática da Capoeira Angola também pode servir como auxílio no cuidado à saúde mental: “Ela é uma forma de terapia ocupacional, um lugar onde tem música, uma forma de exercitar o corpo e desenvolver a coordenação motora… Fora que ainda é possível aprender muita coisa com a capoeira, tanto do passado como do presente”, refletiu.
Por outro lado, o Jonathan Santos trouxe um ponto relevante: o quanto a prática da Capoeira Angola serviu para romper preconceitos. “Quando eu era pequeno, mais novo, a minha mãe sempre quis me colocar na capoeira, mas eu pensava que aquilo não era pra mim. O tempo passou, eu entrei no Ifal [Instituto Federal de Alagoas] e lá eu conheci esse projeto. A capoeira também mexe com música e é uma coisa que eu estou completamente apaixonado. Participar deste Pibic Jr., então, foi, também, um jeito de acabar com um tabu que eu mesmo tinha”, refletiu.
Ciência e conhecimento de mãos dadas
O professor Sante Braga, coordenador de um dos projetos, apontou que sem o investimento feito pelo governo de Alagoas, por meio do programa “Mais Ciência Mais Futuro”, muito do que realizaram com o Pibic Jr. não seria possível: “Sem o financiamento da Fapeal e do Pibic Jr., nós não teríamos condições de desenvolver essa atividade com a Capoeira Angola em nosso campus porque nós precisamos de instrumentos, por exemplo, e o recurso da taxa de bancada é fundamental, bem como a bolsa paga para os estudantes, enfim, para que eles possam se locomover ou se alimentar… Então, é fundamental o apoio da Fapeal para com o nosso projeto”, celebrou o docente.
A coordenadora do Pibic Jr. Alagoas, Janaina Silva, revelou seu orgulho em ver como os estudantes se engajam na pesquisa sobre a Capoeira Angola e fez um paralelo entre a cultura e o conhecimento: “A capoeira é movimento, memória. E quando vemos os jovens pesquisando sobre ela, vemos o quanto a cultura pode se transformar também em conhecimento científico. É muito gratificante ver esses projetos do Pibic Jr. com essas temáticas e eu digo mais: fico muito feliz em ver a grandiosidade desses projetos”, celebrou Janaina Silva.
Sobre o Pibic Jr.
O Programa de Bolsas de Iniciação Científica Júnior (Pibic Jr) é uma ação conjunta entre a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Alagoas (Fapeal), a Secretaria de Estado da Ciência, da Tecnologia e da Inovação (Secti) e a Secretaria de Estado da Educação de Alagoas (Seduc) e integra o pacote de editais do programa “Mais Ciência Mais Futuro”, lançado pelo governo de Alagoas.
Assim, o Programa tem como objetivo despertar a vocação científica, tecnológica, empreendedora e artística na juventude alagoana com o intuito de incluir a educação pública como eixo fundamental do ecossistema de inovação no estado, além de contribuir para seu desenvolvimento socioeconômico.

