Obra escrita por Adriana Capretz, da Ufal, traz figuras alagoanas que melhoraram a vida de outras e romperam padrões enfrentando resistências
Deriky Pereira

E se mulheres alagoanas se transformassem em sereias e, em seguida, virassem livro? Parece absurdo, num primeiro momento, mas essa frase se tornou realidade a partir do livro Sereias Alagoanas: Histórias de Mulheres que Encantam, escrito pela professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), Adriana Capretz, que ganhou as páginas virtuais da coluna Bora Ler com Manoella Neves como dica literária do mês de junho. No livro, Capretz apresenta diversas figuras alagoanas que melhoraram a qualidade de vida de outras enquanto romperam padrões mesmo em meio à resistência de outros.
“Assim como as sereias, as setenta mulheres apresentadas neste livro transformaram, à sua maneira, desafios em potência, deixando marcas profundas na cultura, na memória e na história de Alagoas. Todas foram disruptivas ao enfrentarem resistência, romperem padrões estabelecidos e mudarem o curso de processos injustos e desiguais em nossa sociedade. Suas ações levaram à melhoria da qualidade de vida de muitas pessoas, comprovando que podemos construir coletivamente um futuro menos injusto e desigual”, explica a autora, na apresentação do livro.
Ainda segundo ela, a escolha dessas mulheres se fez a partir da trajetória de cada uma delas marcadas por acontecimentos como a defesa e a proteção das pessoas marginalizadas e pela luta por justiça social, por exemplo.
“Muitas dessas mulheres são negras, periféricas, indígenas e quilombolas, cujas lutas, antes de tudo, foram para viver e sustentar seus filhos. Mesmo tendo uma incrível atuação em suas comunidades, muitas delas ainda não tem a visibilidade e o reconhecimento que merecem: não aparecem em livros, não dão nomes a lugares e acabam ficando anônimas. Entre as mulheres brancas ou que já partiram de lugares privilegiados da sociedade, foram incluídas aquelas que usaram seu acesso para transformar a realidade de quem não teve a mesma sorte”, refletiu Adriana Capretz.
No episódio especial de junho, Manoella Neves faz breve apresentação sobre a obra e destaca também a sua relação com a celebração de 30 anos da Declaração de Pequim, que foi considerada como um marco na luta pelos direitos das mulheres.
“Em 2025, foi celebrado os 30 anos da Declaração de Pequim, um marco na luta pelos direitos das mulheres no mundo e marca o início da vigência da Lei nº 14.986/2024 que determina que as contribuições das mulheres na ciência, nas artes, na política e na sociedade passem a ser ensinadas de forma obrigatória nas escolas de educação básica do Brasil. É neste contexto que é lançado o livro, onde a autora apresenta 70 mulheres alagoanas em diferentes atuações”, contou Manoella.
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