Livro narra a história de Tchulkaturin que decide contar suas memórias após descobrir que tem pouco tempo de vida
Deriky Pereira

Tchulkaturin, um nobre russo, está em seus últimos dias de vida e pensa como isso pode ser marcante de alguma forma. Com isso, ele decide escrever suas memórias em um diário. Nele, revela sua profunda sensação de desconexão com a sociedade e a falta de propósito, onde relata também experiências pessoais e relações marcadas pela inutilidade e ausência de direção. Foi com essa narração que Manoella Neves trouxe mais uma dica à coluna Bora Ler com o livro Diário de Um Homem Supérfluo.
Em uma obra com uma pegada noveleira, o protagonista Tchulkaturin ainda vive uma relação complexa e frustrante com Liza, moça que ama. Ele a idealiza como figura perfeita e inalcançável, mas ela, pertencente à alta nobreza, não corresponde aos seus sentimentos e o trata com indiferença. “Essa dinâmica é marcada pela obsessão e pela humilhação do protagonista, que se vê incapaz de seguir adiante ou amar outra pessoa e sua fixação por Liza revela insegurança e baixa autoestima”, explicou Manoella durante o vídeo.
Segundo a crítica, essa relação também funciona como denúncia da sociedade russa da época, que valorizava status e posição social acima de tudo. Liza, representante da aristocracia, simboliza essa indiferença diante das classes inferiores. Ou seja, o vínculo entre eles é unilateral, problemático e carregado de frustração, refletindo tanto a estrutura social russa quanto as fragilidades do protagonista.
“O título do livro, por sua vez, reflete esse sentimento: o narrador se percebe como um homem sem função, dispensável. É nesta obra que surge, pela primeira vez, o termo “homem supérfluo”, designando um tipo recorrente na grande prosa russa do século XIX e inclusive, embora seja a estreia do termo, o perfil do personagem aproxima-se de outros encontrados, por exemplo, em obras de Dostoiévski”, complementou Manoella.
Diário de Um Homem Supérfluo, escrito pelo autor russo Ivan Turguêniev que foi publicada em 1850 e inédito no Brasil até 2018, tem 92 páginas e um lugar de destaque na história da literatura. No Brasil, foi traduzido por Samuel Junqueira e lançado pela Editora 34.
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