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Minutos da Ciência apresenta projeto Pibic Jr. sobre bioplástico com resíduos agroindustriais

Iniciativa desenvolvida em escola estadual de Arapiraca utiliza aproveitamento sustentável para produção do material

Deriky Pereira

As bolsistas durante o projeto

Elaboração de bioplásticos com o aproveitamento sustentável de resíduos agroindustriais, a partir da casca da mandioca, e com foco na experimentação em laboratório. Este é mais um projeto do Programa de Bolsas de Iniciação Científica Junior de Alagoas (Pibic Jr. Alagoas), desenvolvido na Escola Estadual Padre Jefferson de Carvalho, em Arapiraca, que o Minutos da Ciência trouxe ao público na última sexta-feira (15) com publicação nas redes sociais de Fapeal e de Fapeal em Revista. O projeto foi desenvolvido entre os meses de março de 2025 e fevereiro de 2026 e contou com a orientação do professor Vanilson Santos que está em seu segundo ciclo do programa.

“As atividades envolveram desde o estudo dos fundamentos teóricos até a preparação das matérias-primas utilizadas para a formulação dos polímeros e análise e aplicação dos filmes obtidos, permitindo que as jovens pesquisadoras acompanhem de forma prática todas as etapas do processo de uma pesquisa científica. Esse percurso despertou nelas curiosidade e entusiasmo ao perceberem como problemáticas do cotidiano, como a redução do uso de plásticos convencionais que tanto afetam o meio ambiente, podem ser investigadas e enfrentadas dentro do espaço escolar”, explicou o docente.

As bolsistas Ana Santos e Roberta Santos explicaram brevemente o objetivo do projeto e as motivações para desempenhar esta ação: “Os bioplásticos são alternativas mais sustentáveis aos plásticos comuns e ajudam a reduzir a poluição do meio ambiente e a reciclar os materiais descartados. Assim, o objetivo do nosso projeto foi elaborar um bioplástico a base de resíduos agroindustriais com o intuito de substituir o plástico convencional que é derivado do petróleo”, explicaram as estudantes.

Já a estudante Josefina Nunes complementou a fala das companheiras de Pibic Jr. ao explicar também como se deu a construção deste material: “Na metodologia do projeto, nós utilizamos o Blend, que é uma mistura do Glicerol, CNC [carboximetilcelulose], gelatina e o amido extraído da casca da mandioca. Nós colocamos esse blend na Placa de Petri e levamos à estufa a 40 ou 45 graus por 16 horas para que o solvente da solução evaporasse e formasse, assim, os filmes de bioplásticos”, contou a estudante.

O professor Vanilson Santos agradeceu ao governo de Alagoas, por meio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Alagoas (Fapeal) e da Secretaria de Estado da Ciência, da Tecnologia e da Inovação (Secti) pelo apoio dado ao projeto para que ele saísse do papel e se tornasse uma realidade. “Temos muito que agradecer à Fapeal, à Secti, por todo o apoio e por todo o suporte, pois sem elas isso não seria possível. Estamos muito felizes em ver os nossos jovens com tanta autonomia, com tanta desenvoltura, quando comparados com o início do projeto, por exemplo, então observar isso, mesmo que de longe, a autonomia, a forma como eles conseguem expressar tantas aprendizagens durante este ciclo”, celebrou.

Sobre o projeto

O pesquisador explicou ainda que atualmente são diversas as atividades que dependem quase que exclusivamente de produtos poliméricos devido à versatilidade e baixo custo de produção. entretanto, o fato de boa parte desses polímeros serem de origem petroquímica, não renovável e altamente poluentes tem causado inúmeras preocupações ambientais, já que aproximadamente, 90% da poluição do planeta está sendo atribuída ao descarte de materiais de origem fóssil. Foi daí, também, que surgiu uma motivação para a elaboração deste projeto.

“Então, reforçamos que o objetivo foi desenvolver, avaliar e aplicar filmes biodegradáveis elaborados a partir da fécula extraída de resíduos agroindustriais (principalmente das cascas de mandioca), combinada com gelatina, glicerol e carboximetilcelulose [CMC], com e sem adição de extrato de própolis vermelha alagoana. Apesar do potencial dos biopolímeros como alternativa sustentável aos polímeros fósseis, ainda há escassez de estudos sobre a utilização da fécula de cascas de mandioca para a produção de filmes biodegradáveis, especialmente em combinação com outros componentes naturais”, complementou Vanilson.

Clique aqui e acompanhe o Minutos da Ciência na íntegra.

Sobre o Pibic Jr.

O Programa de Bolsas de Iniciação Científica Júnior (Pibic Jr) é uma ação conjunta entre a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Alagoas (Fapeal), a Secretaria de Estado da Ciência, da Tecnologia e da Inovação (Secti) e a Secretaria de Estado da Educação de Alagoas (Seduc) e integra o pacote de editais do programa “Mais Ciência Mais Futuro”, lançado pelo governo de Alagoas.

Assim, o Programa tem como objetivo despertar a vocação científica, tecnológica, empreendedora e artística na juventude alagoana com o intuito de incluir a educação pública como eixo fundamental do ecossistema de inovação no estado, além de contribuir para seu desenvolvimento socioeconômico.