Coletânea de ensaios e palestras convida leitores a repensarem sua forma de existir
Deriky Pereira

Será possível construir um futuro sem resgatar a sabedoria ancestral que nos conecta com a natureza? Foi com esta frase que Manoella Neves deu início a mais um episódio da coluna Bora Ler que, nesta edição, apresenta o livro Futuro Ancestral, de Aílton Krenak. Nele, o autor apresenta uma coletânea de ensaios e palestras, onde convida os leitores a repensarem suas forma de existir. A partir deste convite, ele fala sobre os rios de maneira poética, destacando a importância deles para as culturas indígenas e para a natureza.
“O autor considera os rios como sagrados e fundamentais para sua sobrevivência e cultura, mostrando que eles, os rios, são fonte de alimento, de água, de transporte e de espiritualidade para as comunidades indígenas. Para tanto, denuncia a ameaça que enfrentam por conta da ação humana, como a poluição, a exploração de recursos naturais e construção de barragens, ao mostrar também que a destruição destes cursos de água é uma ameaça à própria vida e à cultura das comunidades indígenas”, explicou Manoella Neves.
Futuro Ancestral, que conta com 128 páginas, foi lançado em 2022 pela editora Companhia das Letras e conta também com pesquisa e organização de Rita Carelli a partir de ensaios e escritos do próprio indígena feitos entre os anos de 2020 e 2021. Nele, Krenak propõe que os rios sejam reconhecidos como seres vivos, que tenham direitos próprios e possam ser respeitados: “Os rios, esses seres que sempre habitaram os mundos em diferentes formas, são quem me sugerem que, se há futuro a ser cogitado, esse futuro é ancestral, porque já estava aqui.”
Durante participação na 10ª Bienal Internacional do Livro de Alagoas, em 2023, ao falar sobre o tema, Krenak provocou: “Fazer uma crítica pode ser a primeira ação de esperançar, de propor uma transformação crítica. Então pensar outro mundo é um ato de esperança radical. Pensar qual a responsabilidade que cada um de nós pode assumir na sua casa, na sua comunidade, para fazer alguma coisa diferente. E aí isso vai se juntando e cria uma contracorrente”, disse ele, à época, arrancando aplausos dos presentes.
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